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O que eu preciso saber sobre autismo?

13 de set.
8 min de leitura

Atualizado: 30 de set.


Mulher adulta representando a neurodiversidade no autismo, com roupas formadas por peças de quebra-cabeça, diante de um grupo de pessoas. Ilustração sobre TEA nível 1 e nível 2 utilizada por psicóloga especialista em Neuropsicologia e Autismo em São Bernardo do Campo, com atendimento presencial e online.
Cada pessoa no espectro autista possui sua própria forma de perceber, sentir e interagir com o mundo. O diagnóstico não define quem alguém é. Entender essas particularidades pode transformar relacionamentos, autoestima e qualidade de vida. 💙 Se você busca orientação profissional sobre TEA nível 1, TEA nível 2, autismo em adultos ou avaliação neuropsicológica, estou à disposição para ajudar.


Eu sou psicóloga clínica generalista e atendo vários tipos de demanda — os motivos mais diversos pelos quais as pessoas me procuram.

Mas fiz uma especialização sobre o tema autismo por conta de um fenômeno que eu vinha percebendo em clínica:

"muitas pessoas chegavam até mim com sintomas de longo prazo, diagnósticos que não se sustentavam, receitas de medicamentos que não surtiam o efeito esperado. Ao longo das sessões, essas pessoas — que chegavam com quadros de estresse, depressão, ansiedade, burnout, TOC — estavam, na verdade, apenas apresentando sintomas de uma rotina da qual não conseguiam dar conta."

Sofriam exaustão em experiências que, para pessoas neurotípicas, são coisas super comuns. E, ao tentar se encaixar e falhar miseravelmente, passavam a se julgar, se comparar e sofrer de verdade. Acreditando que um dia iriam se acostumar, como todo mundo faz, eram levadas à exaustão física e mental, com o emocional destruído — e passavam a duvidar de si mesmas, já que nunca podiam confiar nas próprias percepções.

A importância do acompanhamento psicológico para quem teve diagnóstico tardio é gigantesca. Não só pela psicoterapia, que ajuda a compreender sentimentos mais complexos, mas por uma psicoeducação contínua — sobre acordos sociais invisíveis que a sociedade sustenta, sobre como interpretar atitudes de diferentes grupos, sobre sentimentos que muitas vezes são invalidados, e sobre como gerir tudo isso enquanto a vida acontece, com julgamento de amigos e familiares, e a necessidade de força para se impor diante de uma sociedade que ainda não está preparada para entender esse público.

Nos meus atendimentos, além de observar a fala e a descrição do paciente, observo comportamentos e dificuldades de se expressar ou relatar fatos, entre outras características. Uso essas observações para orientar quando há necessidade de buscar avaliação específica — como a avaliação neuropsicológica — e suporte psiquiátrico, que muitas vezes inclui uso de medicamentos. Também promovo encontros com familiares, para que a pessoa dentro do espectro consiga desenvolver diálogo com a família e ser compreendida — e encontros anuais com mulheres autistas de diagnóstico tardio, para trocarem experiências e se apoiarem, por conversas, relatos e contato pela internet.

Se depois de ler este texto você quiser saber mais ou agendar uma consulta, fique à vontade para me chamar pelo WhatsApp.

Ofereço sessões presenciais em São Bernardo do Campo, região central, e online para o Brasil e o exterior, por videochamada.


Bora conhecer um pouco mais sobre o universo autista?


Por que hoje em dia vemos uma explosão de diagnósticos de TEA?

Em 2022 também foi o ano em que o Censo Brasileiro passou a perguntar às pessoas se elas tiveram diagnóstico de TEA — e essas pessoas adultas passaram a figurar no radar do SUS e das políticas públicas.

Entre as décadas de 2010 e o início de 2020, houve um esforço concentrado em entender sinais que os instrumentos existentes simplesmente não enxergavam. Eles tinham sido desenhados para identificar autismo em crianças, olhando para os sinais mais visíveis e "clássicos" do transtorno — mas crianças crescem, e muitos adultos chegavam a consultórios com dificuldades sociais que nenhum teste antigo explicava.

Foi nesse período que a pesquisa deu nome a algo que antes passava despercebido: a camuflagem social, descrita a partir de 2017 por pesquisadores como Hull, Lai e Baron-Cohen. Camuflagem é o esforço — consciente ou automático — de esconder traços autistas para parecer neurotípico: forçar contato visual, preparar mentalmente scripts de conversa, imitar expressões sociais observadas nos outros. Antes desse conceito existir, quem fazia isso bem simplesmente não era visto como tendo dificuldade nenhuma — e ficava de fora do diagnóstico.

A partir daí, surgiram os primeiros questionários feitos para medir esse esforço de camuflagem, em vez de medir apenas o comportamento visível. E a literatura passou a descrever também o burnout autista: um esgotamento específico, diferente do burnout de trabalho comum, causado por manter essa camuflagem ao longo de anos — muitas vezes o próprio motivo que leva um adulto nível 1 a procurar avaliação pela primeira vez.





Em que ano os diagnósticos de TEA passaram a usar a nomenclatura Nível 1, Nível 2 e Nível 3 de suporte?

A partir de 2022, algumas mudanças ocorreram no DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado) que permitiram definir com clareza pontos que passaram a facilitar o diagnóstico de mulheres e de pessoas nível 1 de suporte — nomenclatura que já existia desde 2013, mas que ganhou mais precisão nessa revisão.



O que diferencia uma pessoa TEA nível 1 e nível 2 de suporte?

A diferença está em quanto apoio a pessoa precisa para dar conta do dia.

O nível 1 pode precisar de ajuda para compreender pontos sociais, intenções que ficam implícitas em conversas, para lidar com mudanças bruscas no trabalho ou na rotina com amigos, e para se manter incluído em grupos. Dentro da minha experiência clínica, percebo que muitas vezes a pessoa nível 1 se mantém incluída socialmente graças a algum amigo ou amiga que faz a ponte entre ela e o grupo — pessoas de confiança, que lidam bem com suas excentricidades, e assim a camuflagem acontece sem levantar suspeitas.

Já o nível 2 pode apresentar dificuldades mais complexas — que não são exclusivas dele, mas são muito comuns nesse nível — como necessidade de suporte para perceber sinais do próprio corpo, organizar tarefas do dia a dia e sair de um hiperfoco.



O que "suporte" significa na prática — em que atividades um TEA pode precisar de apoio?

Perceber o próprio corpo (baixa interocepção)

  • Não sentir fome até estar com dor de cabeça ou tontura — o sinal chega tarde, ou chega forte demais. O suporte está em ser lembrada de comer em horários fixos, em vez de esperar o corpo avisar.

  • Não beber água até sentir dor de cabeça, o que pode levar a pedras nos rins e risco de desidratação. O suporte está em ser lembrada de beber água ao longo do dia.

  • Não perceber frio até tremer, ou calor até passar mal. O suporte está em ser lembrada de vestir o casaco ou tirá-lo.

  • Precisar de dor muito intensa para perceber que se machucou, ou reagir de forma desproporcional a uma dor pequena. O suporte está em ter alguém atento ao corpo, que perceba e ajude rapidamente.

  • Não notar vontade de ir ao banheiro até virar urgência. O suporte está numa rotina fixa que garanta o autocuidado.

Organizar a vida prática (baixa função executiva)

  • Saber cozinhar, mas travar na hora de decidir o que cozinhar — o problema não é a habilidade, é dar o primeiro passo. O suporte está em ter um cardápio pronto, sem precisar decidir todo dia.

  • Deixar a louça acumular na pia, não por falta de vontade, mas por não conseguir executar a tarefa (pode ser dificuldade de começar sozinha, incômodo com textura de restos de comida, esponja, detergente, cheiros, ou exaustão mental para organizar a ordem da lavagem). O suporte está em ter ajuda para dividir a tarefa em passos pequenos, ou alguém que comece a tarefa junto.

  • Comprar itens de limpeza, mas a casa continuar desorganizada, porque falta a sequência interna de quando e como usar cada coisa. O mesmo tipo de suporte se aplica aqui: dividir em passos, com ajuda de alguém.

  • Esquecer de comer o dia inteiro por estar em hiperfoco, e comer compulsivamente quando finalmente lembra. O suporte está em ter alguém ou algum alarme que ajude a interromper o hiperfoco em horários certos.

Textura e sensação (sensibilidade sensorial)

  • Evitar descascar uma fruta, mexer em massa de pão ou tocar em ração de animal — não é frescura, é a textura gerando desconforto físico real. O suporte está em comprar frutas já descascadas ou ter ajuda com esse tipo de manuseio.

  • Comer sempre a mesma marca de um alimento, porque a textura muda entre marcas e isso é perceptível e incômodo. O suporte está em manter a previsibilidade, sem cobrar variedade.

  • Etiqueta de roupa, meia com costura torta, cós apertado ou certos tecidos virando motivo de irritação o dia inteiro. O suporte está em organizar o guarda-roupa e comprar peças pensando nisso.

No social (falta de traquejo social)

  • Rir um pouco atrasado numa piada, porque primeiro precisa processar que era piada, olhando a reação do grupo e imitando o comportamento.

  • Ensaiar mentalmente o que vai dizer no telefone antes de discar, mesmo para uma ligação simples — o suporte está em ter um roteiro do que precisa falar.

  • Sair de um encontro social e precisar de silêncio absoluto por horas para "recarregar a bateria social", mesmo tendo gostado do encontro — o suporte está em ser compreendida ao apresentar um desgaste que os outros participantes não sentem, o que muitas vezes não acontece: a pessoa acaba julgada como preguiçosa, fresca, ou passa a acreditar que está doente por não suportar a mesma rotina que os outros suportam bem.

Estes exemplos mostram, na prática, o que suporte significa no dia a dia — e como o esforço de mascarar pode acontecer em qualquer nível do espectro.



Por que uma pessoa parece ser "mais autista" depois do diagnóstico?

O nível 1 costuma mascarar bem: o esforço de esconder o desconforto funciona, e o custo fica só por dentro. Já no nível 2, na minha experiência clínica, esse esforço de mascaramento também acontece — só que a máscara já não segura. A pessoa muitas vezes está convencida de que está enganando todo mundo, de que ninguém percebe sua dificuldade, quando na verdade já não é bem assim: o esforço continua, mas já não é suficiente pra cobrir o que aparece de fora, e ela costuma ser a última a perceber isso.

Em qualquer um dos dois níveis, a pessoa se obriga a suportar mal-estar para não ser ridicularizada pela sociedade em que vive. Depois do diagnóstico, ela passa a entender seus limites e a se permitir mostrá-los — e esse é o ponto crucial para que consiga se incluir na sociedade de um jeito mais saudável:

Passa a poder sair de um evento quando realmente está cansada, e não só quando a festa acaba.

Passa a usar protetor auricular para suportar barulhos que antes a incomodavam, mas que ela escondia por acreditar que todo mundo suportava e que ela deveria suportar também.

Não aceita mais brincadeiras sobre sua seletividade alimentar, porque come o que come por limitação, não por frescura.

Tudo isso, no início, costuma ser lido como uma mudança de comportamento brusca por quem convivia com a pessoa quando ela ainda mascarava.

Infelizmente, ainda vemos até hoje pais que invalidam filhos adultos quando eles falam sobre o diagnóstico e passam a impor seus limites, com frases como:


  • "Você nunca precisou disso."

  • "Parece que você está fugindo."

  • "Isso é influência daquela psicóloga/médico."

  • "O problema está nos remédios que você está tomando."

  • "Você está sendo cabeça fraca, está sendo influenciado pelo que vê na internet."



TEA nível 1 e nível 2: quando procurar ajuda psicológica?

Dificuldades sociais, sobrecarga sensorial, ansiedade, rigidez comportamental e desafios na comunicação podem impactar significativamente a vida diária de 

pessoas autistas.

Sou psicóloga especialista em Neuropsicologia e Autismo.


Atendo pessoas que desejam se conhecer, que buscam por um diagnóstico tardio, que sentem que estão vivendo a vida com alguma dificuldade, querem entender se estão dentro do espectro, que busquem avaliações neuropsicológicas, atendimento psicológico.

 

Psicoterapia presencial em São Bernardo do Campo e psicoterapia online por videochamada para pacientes de todo o Brasil e brasileiros no exterior.


✅ Atendimento para adolescentes e adultos

✅ Diagnóstico TEA em mulheres e meninas

✅ Orientação para famílias

✅ Avaliação neuropsicológica

✅ Acompanhamento psicológico especializado em nível 1 e nível 2 de suporte.


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